Teatro como terapia na terceira idade

Teatro como terapia na terceira idade

Está morrendo aquela imagem de vovôs e vovós sentadinhos contando história e vendo a vida passar. Idosos estão cada vez mais ativos, fazendo vários cursos, viagens, produzindo e continuam contando histórias, porém de uma outra forma: através do teatro.

Durante o processo de aprendizagem artística muitos saem de um quadro depressivo com a ajuda do trabalho com o texto, o autor e os personagens. Os exercícios físicos, vocais e mentais – com estímulo da memória e da criatividade – ajudam até a diminuir o uso de alguns remédios.
Segundo a psicóloga gerontóloga Laura Machado, consultora do prêmio Talentos da Maturidade, do Banco
Santander, a arte tem a função de organizar e estruturar o psiquismo do indivíduo independente da idade – o que ocorre normalmente com as crianças. Muitas vezes, o idoso perdeu a prática de estruturar emoções através da expressão artística. “O que ocorre é que as pessoas, quando se aposentam e entram na terceira idade, vêm de inúmeros bloqueios adquiridos ao longo da vida, e se redescobrem através da arte. Desbloqueando suas emoções e colocando isso para fora, você está se reestruturando”, explica Laura. “Na terceira idade, a arte volta a ter essa função de elaboração das emoções. Quando o idoso representa ou pinta, está na verdade se reelaborando, colocando para fora uma série de emoções que ficaram represadas”, explica. A prática traz a superação de bloqueios emocionais sem que a pessoa perceba isso diretamente.

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Terapia na terceira idade?

7 benefícios do teatro:

– Melhora a memorização
– Respiração facilitada
– Proporciona autonomia
– Eleva a autoestima
– Voz ativa na família e entre amigos
– Conquista de espaço junto ao grupo
– Disciplina, que afasta risco de depressão

Teatro indicado como terapia

O teatro já é até praticado sob indicação médica, pois se transforma em uma ferramenta de libertação. Os casos em que pessoas chegam ao teatro por orientação médica são comuns. E o mais interessante é notar que ninguém é tratado como paciente, pois neste universo, todos se reconhecem como artistas e mesmo num ambiente de aula, têm-se o senso de liberdade ampliado para que cada um consiga expressar seu conteúdo interior em busca da realização do seu personagem, o que acaba funcionando como um instrumento de autoconhecimento. Durante os exercícios de relaxamento e concentração, normais na preparação para que se consiga trabalhar os personagens que serão encenados há a oportunidade de olhar para dentro de si próprio, o que naturalmente gera consequências positivas, pois no reencontro consigo mesmo podemos espantar fantasmas que estejam impedindo a construção de uma boa autoimagem, o que resultará em uma retomada na edificação da autoestima.