A terceira idade e a solidão

A terceira idade e a solidão

Muitas são as preocupações que nos rodeiam por ocasião desta nova etapa de nossas vidas, a terceira idade. Mas de maneira surpreendente, o maior medo do idoso brasileiro não é ficar doente ou incapaz. De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – São Paulo (SBGG-SP), com a participação da Bayer, o maior medo do idoso no Brasil é a solidão.

Em segundo lugar vem a incapacidade de enxergar ou se locomover. E em terceiro lugar a preocupação em adquirir alguma doença grave.

Cada etapa de nossas vidas tem suas características especificas, possibilidades e temores inerentes àquele período.

Portanto, não devemos estranhar que a terceira idade também traga com ela coisas com as quais não estávamos acostumados a lidar enquanto vivíamos os outros estágios de nossa existência.

Por que sentimos medo da solidão?

Não é difícil de entender o motivo pelo qual o fantasma da solidão passe a rondar as pessoas da terceira idade. Nós sempre fomos os provedores da casa. Homens e mulheres de grande potencial e liderança! Éramos também os protetores para onde todos podiam correr nos momentos de medo e incerteza. Nossos filhos, irmãos mais novos, sobrinhos e até mesmo amigos sempre puderam encontrar acalento e segurança em nossa companhia.

Com a chegada da terceira idade, nós assistimos a vida de todos amadurecer! Ainda bem que sobrevivemos a tantos infortúnios, pois é uma grande satisfação vê-los assim: Prontos, responsáveis, e independentes! É claro que um ou outro não deu tão certo assim e outros vivem buscando socorro. Mas de maneira geral, bem ou mal, cada um já toca a sua vidinha.

De repente, percebemos que eles não precisam mais de nós. São autossuficientes. Será que eles agora nos abandonarão?

Entendamos bem: Isso não tem nada a ver com eles serem gratos ou não, nos amarem ou não, serem bondosos ou não!

Antes mesmo da reação deles, que será positiva ou negativa, somos inundados por um sentimento estranho, por causa da novidade da situação.

É totalmente normal e compreensível que isso nos acometa. A parte que mais importa é como vou reagir a este sentimento.

O que fazer com o medo da solidão

Naturalmente não iríamos querer que nossos filhos e ente queridos fossem dependentes de nós pra sempre. Isso não seria natural. O rumo da vida os conduz para o amadurecimento e nós trabalhamos a vida toda e investimos recursos e muito trabalho exatamente para ensiná-los isso. Então, a primeira atitude que devemos tomar para não permitir que esse medo da solidão nos maltrate é acreditar no trabalho que fizemos! Sim! Tivemos nossas falhas e omissões, ausências e períodos de distanciamento, mas todas estas coisas são contadas no conjunto de acontecimentos que fez deles o que são agora!

Nós fizemos o que nos foi possível fazer. E com certeza fizemos muito mais do que achamos que fizemos, pois nossa tendência é sempre pensar que fizemos pouco. Precisamos estar cientes de que o amor nunca deixa de retornar.

Agora, sentar no sofá e esperar? Nada disso!

Lancemos mão de tudo que estiver ao nosso alcance para estabelecer novos vínculos de amizade e envolvimento relacional! Participe do clube da terceira idade do seu bairro, compareça ao Baile da terceira idade de sua cidade, inscreva-se no grupo de ginástica da praça, matricule-se naquele curso que sempre quis fazer, volte a trabalhar, vá viajar, etc.

Se a barra estiver ficando pesada, disfuncional, procure ajuda. Existem ótimos especialistas em nos ajudar  a reorganizar as emoções.

Se mantivermos uma atitude positiva e pró ativa no sentido da participação nas oportunidades que surgirem, um pouco de paciência para nos adaptarmos aos eventos e boa vontade, não só espantaremos o medo da solidão, como também poderemos nos surpreender ao perceber que talvez essa seja a melhor idade das nossas vidas!