Egoísmo – O que temos a aprender

Egoísmo – O que temos a aprender

Somos extremamente egoístas – a ponto de pensarmos em dar a alguém só para recebermos mais em troca. Porém, o
sistema segundo o qual Deus trabalha conosco na Lei do Dar e Receber é justamente uma forma de se quebrar o egoísmo. Ele nos ensina a darmos porque Ele não quer que estejamos presos a nada. E, quando nos desprendemos, Ele sabe que estamos demonstrando maturidade para recebermos mais.

Para muitos crentes hoje, o fato de serem abençoados financeiramente não significaria uma bênção tão grande assim,
pois, devido ao seu egoísmo e imaturidade, prejuízos poderiam ocorrer até mesmo com a entrada de recursos financeiros.

O Filho Pródigo que o diga! Ele não tinha maturidade alguma para receber o que recebeu. Assim sendo, dissipou tudo! Através do nosso dar, da nossa liberação sincera e despretensiosa, acionamos um princípio pelo qual podemos receber de Deus. Mas a dádiva egocêntrica não se enquadra no todo das leis divinas quanto ao dar e receber.

Vemos pessoas na Bíblia que deram sem ser abençoadas, como Ananias e Safira, por exemplo. O ato de dar não pode ser visto isoladamente. Assim como falamos da semente que precisa morrer para germinar e frutificar, assim também, na Lei do Dar e Receber, o dar tem que ser uma entrega que quebre o egoísmo.

Não negamos que o próprio Deus instituiu a Lei do Dar e Receber, mas isto não quer dizer que barganhar com Ele seja
forma de se receber algo. Dar é melhor do que receber porque é uma ajuda no processo de se quebrar o egoismo e nos
prepara para recebermos com uma atitude melhor.

EXEMPLOS BÍBLICOS DE EGOÍSMO

Há uma diversidade de exemplos bíblicos que demonstram o funcionamento da Lei do Dar e Receber.

Muitas vezes concluímos erroneamente que os relatos bíblicos são uma mera descrição histórica. Mas, por trás de
cada episódio, há uma lição a ser aprendida:

“Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança” Romanos 15.4

Paulo citou este fato aos coríntios, mostrando a razão pela qual os registros históricos de Israel chegaram até nós: para nos servir de exemplo e advertência.

“Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.” 1 Coríntios 10.11

O EXEMPLO DE JESUS NO BARCO DE PEDRO

Numa certa ocasião, Jesus precisou usar o barco de Pedro, e ele o disponibilizou ao Senhor:

“Aconteceu que, ao apertá-lo a multidão para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré; e viu dois barcos junto à praia do lago; mas os pescadores, havendo desembarcado, lavavam as redes. Entrando em um dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da praia; e, assentando-se, ensinava do barco as multidões.” Lucas 5.13

O pescador aceitou, e apesar da frustração de nada ter pescado à noite (e da necessidade de voltar ao trabalho) deu o barco a Jesus, e, por trás da gentileza praticada, acionou (ainda que inconscientemente) a Lei do Dar e Receber.

“Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Respondeu-lhe Simão: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes. Isto fazendo, apanhara grande quantidade de peixes; e rompiam-se-lhes as redes. Então, fizeram sinais aos companheiros do outro barco, para que fossem ajudá-los. E foram e encheram ambos os barcos, a ponto de quase irem a pique.”
Lucas 5.4-7

Ele recebeu de volta por seus préstimos uma quantia de peixes que não poderia ter pescado por si só. Quando damos
alguma coisa a Deus, sempre recebemos muito mais de volta! Nunca ninguém, em ocasião alguma, jamais conseguirá
vencer a Deus no dar! Tudo o que damos sempre nos voltará em boa medida, recalcada, sacudida e transbordante. Foi o
que aconteceu com Pedro nesta ocasião e é também um princípio válido para nós hoje!

MUITAS VEZES MAIS

Certa vez o apóstolo Pedro lembrou a Jesus de tudo o que eles, os discípulos, haviam deixado por Ele, e perguntou-Lhe qual seria a recompensa deles:

“Então, lhe falou Pedro: Eis que nós tudo deixamos e te seguimos; que será, pois, de nós? Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos ou irmãs, ou pai, ou mãe ou mulher ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais e herdará a vida eterna.” Mateus 19.27-29

A resposta do Senhor Jesus Cristo ao apóstolo Pedro permite que entendamos alguns principios ligados à Lei do
Dar e Receber.

Em primeiro lugar, vemos que a recompensa de tudo o que fazemos (incluindo as nossas dádivas) não é meramente
terrena! Sempre há o aspecto celestial, o aspecto do galardão! O Senhor fala de uma dimensão de honra na eternidade, na glória celestial. Além do que provamos no reino natural ao darmos
a Lei do Dar e Receber também se estende ao reino espiritual.

Em segundo lugar, Ele fala que receberemos muitas vezes mais do que deixamos para trás por causa d’Ele: as coisas
terrenas! E é esta forma de recebermos que precisa ser entendida mais profundamente.

Jesus falou que receberíamos de volta algumas coisas que deixamos por amor a Ele, mas nem sempre recebemos coisas com as mesmas características da nossa entrega. Por exemplo, ao deixar casas e campos, não preciso recebê-los de volta “de papel passado”, mas posso me enquadrar na posição de receber, simplesmente por estarem à minha disposição!

Há momentos em que, na forma de recebermos o que damos, Deus nos poupa de nos centrarmos em nós mesmos.

Já afirmamos que uma das razões pelas quais Deus estabeleceu a Lei do Dar e Receber foi para quebrar o nosso
egoísmo, uma vez que somos tremendamente centralizados em nós mesmos. Logo, não podemos usar esta lei só por causa
nosso egoísmo, com a intenção de darmos para recebermos algo melhor em troca. Quando damos visando só o nosso beneficio próprio, quebramos um outro princípio bíblico e somos impedidos de recebermos. Observe o que diz a Palavra de Deus:

“Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.” Tiago 4.2b,3

Depois de mostrar que muitos não recebem por não pedirem – o que indica que uma das formas de recebermos
de Deus é pela oração e súplica – Tiago denuncia que alguns, mesmo usando a oração, não alcançam nada de Deus! E a razão de não receberem de Deus é porque estão voltados só a si mesmos! Deus não pode alimentar o nosso egoísmo!

Jesus Cristo nos incluiu em Sua morte na Cruz exatamente para aniquilar este nosso egoísmo. Aí então Ele estabeleceu uma lei espiritual onde o nosso egoísmo cancela o funcionamento de outros princípios do reino espiritual. Isto se aplica com relação à oração e também com relação à Lei do Dar e Receber.

No entanto, Deus não nos impede de sairmos do enquadramento da Cruz! Precisamos aprender a dar, pelo ato de dar
em si, e não somente por causa da reciprocidade do receber.

A contribuição não pode ser considerada como uma espécie de título de capitalização, que eu invisto hoje só para
receber amanhã. Outros princípios se somam a Lei de Dar e Receber e deve haver um funcionamento em conjunto de todos estes princípios para que vejamos os resultados.