A música como benção de Deus

A música como benção de Deus

A música foi criada por Deus e já existia mesmo antes de haver o homem. No livro de Jó, o mais antigo das Escrituras, lemos que quando Deus lançava os fundamentos da terra, as estrelas da alva cantavam e todos os filhos de Deus rejubilavam (Jó 38.1,7). Se compararmos esta passagem com Isaías 14.12 onde Lúcifer é chamado de estrela da manhã e filho da alva, podemos entender que, mesmo antes da criação do universo, havia no céu uma hoste angelical separada para cantar louvores ao Eterno Deus, da qual Lúcifer parece ter sido o regente (Ez 28.12-15).

A música como Dom de Deus

O homem como criatura de Deus, recebeu a música como um dom divino. Mesmo os povos mais primitivos são dotados de musicalidade. Não existe nem um povo que não tenha sua própria música, assim como não existe ninguém que não aprecie algum tipo de música. Vivemos em um universo musical onde, desde que nascemos, somos envolvidos pela música e aprendemos a apreciá-la.

A primeira passagem bíblica referente a música e instrumentos musicais se encontra em Gênesis 4.21. O texto se refere às bases da cidade edificada por Caim e seus descendentes. Entre os pilares daquela sociedade primitiva encontramos a agricultura (v.20), a indústria (v.22) e a música (v.21). Vemos nesta passagem a importância da música na vida do homem. Os profetas bíblicos eram também músicos. Durante o êxodo, a profetisa Miriã conduziu as mulheres em danças e cântico usando seu tamborim e celebrando a vitória do Senhor sobre os egípcios (Ex 15.20-21). Em 1 Samuel 10.5, Saul encontra um grupo de profetas que profetizavam acompanhados de seus instrumentos musicais. Isaías compôs canções como a encontrada no capítulo 26:1-6 de seu livro.

A música na Bíblia era dividida em instrumental (Sl 33.2,3 e 150) e vocal (Sl 98.5; 2Sm 19.35 e At 16.25). Os títulos de 55 salmos contém instruções para os regentes sobre a execução de vários instrumentos músicas e das melodias que deveriam ser utilizadas no acompanhamento.

O fator mais interessante quando observamos a música na Bíblia é a sua rica variedade e as poucas restrições quanto ao seu uso. Há variedade de instrumentos, variedade de sons e volumes, variedade de adoradores, variedade de posturas e modos, variedade de lugares, variedade de ocasiões e variedade de motivos.

Sendo a música um dom de Deus ao homem, a melhor forma de agradecer a Deus por esta dádiva é fazer música para seu louvor e Sua glória. Em Hebreus 13.15, somos exortados a louvar a Deus de duas maneiras: por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome.

A música como dever religioso que deve ser oferecida como sacrifício de louvor é o que nós chamamos de música sacra, ou sagrada, música de louvor e adoração. Existe, no entanto, uma música espontânea, que brota de um coração cheio da vida de Deus, através do Espírito Santo é o fruto dos lábios que confessam o seu nome (Ef 5.18,19). Esta música, que não deixa de ser louvor a Deus, não precisa ser feita de palavras ou expressões religiosas. Ela reflete as experiências da vida de alguém que conhece a Deus e não precisa estar afirmando isto com os lábios para que as pessoas tomem conhecimento. Sua vida é uma expressão de sua intimidade com o Criador. É por este motivo que a música encontrada nas Escrituras é ampla e está relacionada a todas as áreas da vida humana.